Meu primeiro voto foi do PT. Meu segundo voto foi do PT. Meu terceiro voto foi do PT e se bobear acho que o quarto também. E eu não só votei. Eu era jovem, então eu votei, pintei a cara, me aboletei no diretório da rua real grandeza e passei a noite cortando estrelinhas vermelhas. E no dia seguinte, exausta mas feliz, peguei o ônibus lotado para a Cinelândia para gritar em voz alta o meu voto.

E não me arrependo.

Eu não gosto do PSDB. Não vou muito com a cara do Aécio, não sei se ele cheira, se ele rouba ou se ele constrói aeroportos no terreno do tio.  Eu só sei que eu não vou com a cara dele. Nem com a da mulher dele que tem cara de miss.

Também não vou com a cara da Dilma, apesar de não achar que ela roube, pelo menos não pra ela mesma. Se ela roubasse pra ela mesma, pelo menos ela se vestiria melhor.  Mas também sei for a fact que aquela Dilma com jeito de vó boazinha meio Ana Maria Braga só existe no mundo ideal dos marqueteiros. Quem convive sabe que ela trata democraticamente mal desde o faxineiro ao mais importante dos ministros. E, apesar de ser um maltratar igualitário, não consigo gostar de quem maltrata as pessoas.

Enfim, o fato é que eu não gosto igualmente dos dois. E o fato é que mesmo eu tendo prometido nunca mais me posicionar, porque eu não perco um amigo para ganhar uma guerra, eu não consegui. A garota de 16 anos com a cara pintada falou mais alto que a mulher, profissional e mãe de família. Ela sempre fala.

E enfim, o fato é que também não se trata de PSDB ou de PT. Nem se trata de Aécio ou de Dilma. Na verdade, tanto faz. Para mim se trata de mudar. De alternância no poder, de democracia. Não me arrependo de ter votado no PT. Não mesmo. E, ao contrário do que dizem, acho que nestes muitos anos de PT houve avanços sociais. E, ao contrário do que eles dizem, e eu digo eles, mas detesto este discurso nós x os outros que “eles” pregam, eu acho o máximo quando vejo muito mais gente do que havia antes viajando pro exterior, andando de avião, e com acesso a internet. Isso é tudo muito, muito bom.

Mas, para mim, chega. Chegou a hora de mudar. Aliás, passou da hora. E não é pela inflação, pela corrupção ou pelo alinhamento com governos, regimes ou personalidades que eu não admiro. Apesar disso me incomodar muito, não é por isso. Para mim, simplesmente é porque não é saudável para uma democracia ter um partido há tanto tempo no poder. E eu curto democracia. Não é saudável para a democracia, um país estar tão identificado com um partido. E eu não gosto disso. Eu não quero ter um partido. Eu não quero me colocar dentro de uma caixinha. E nem quero viver nesse “nós x eles”.

O que eu quero? Eu quero instituições, órgãos públicos isentos e apartidários. Quero brasileiros de todas as origens concursados galgando os postos mais altos do IBGE dos Correios da Petrobrás, e o que mais seja, e não funcionários de um partido. Quero ter um país novamente, onde eu não seja “os outros” por não ser de um partido. Quero que o meu país não tenha um partido.

Não sei se será o Aécio quem vai trazer o meu país de volta. Pessoalmente, e eu deixo bem claro que tudo isso é MINHA modestíssima opinião, eu nem acredito. E, bem pessoalmente, não houve governo pior para mim que o do PSDB. E não teve mesmo. Mas não importa. Não é pessoal. Não é para mim que eu voto. É para mim e para a minha filha que ainda não pode votar. Eu voto para que ela, assim como eu pude, possa dar o primeiro voto pra quem ela quiser. Pra que ela possa cortar estrelinhas, solzinhos, ou qualquer coisa que o valha e que vá gritar na Cinelândia um dia. Pra que ela tenha esperança. Por ela eu vou ter que me posicionar e correr o risco de perder um ou mais amigos e nem assim ganhar a guerra.

Por ela, e por isso tudo, meu próximo voto não será do PT.

Hoje eu fui levar minha filha à apresentação de ballet. Um défilé, como foi anunciado (assim mesmo em francês) pela direção do liceu de dança. Liceu de dança, isso mesmo, coisa séria.

Quando criança eu também dançava. Quer dizer, eu era levada à aulas de dança. Ostensivamente, eu não tinha o menor jeito, e reservadamente, eu odiava. Mas para me deixar mais ajeitada e melhorar meus modos, minha mãe não poupava dinheiro ou esforços.

Começamos pegando dois ônibus para que ela deixasse metade do salário na Dalal Achcar. Em menos de um ano eu enjoei. No ano seguinte era um táxi e mais uma grana na Tatiana Leskova. Sem sucesso. Quando a Carlota Portela também não deu jeito, ela se rendeu à minha irremediável inaptidão e horrorosa preguiça.

Me sentindo culpada por não ser um vigésimo avos boa mãe como a minha, eu matriculei minha filha no balé. Sem muitos sacrifícios, é claro. Academia (não, não liceu!) pertinho de casa, preço razoável. Lêdo engano. Para minha decepção, o tal liceu é super caxias! Quando se aproxima a época do défilé (e são dois por ano, para o meu desespero) são feitos ensaios TODOS os sábados. E às 08:45. Um ultraje para uma mãe dorminhoca.

Mas não foi isso que me motivou a escrever hoje. Nem os balés da minha vida, nem a excelência da apresentação da minha filha. Com três anos, obviamente, ela ficou cerca de 30 segundos no palco com um bico que ia daqui a Minas Gerais. Nem preciso dizer que eu achei lindo.

Tenho que confessar, entretanto, que não foi ela quem me fascinou. Eu me encantei foi com a gordinha. Que gracinha! Não devia contar mais de oito anos. Bem redondinha e sorridente dançava perfeitamente, sem uma gota de complexo, na primeira fila. Arrasava.

Quando eu achei que já tinha “arrebentado” no balé clássico, ela voltava na próxima turma de sapateado. E foi assim em todas as modalidades! Do street dance ao jazz, passando pela dança contemporânea. A primeira coisa que me veio a cabeça foi que sua mãe não devia deixar meio salário do mês na academia como fazia a minha. Deve deixar inteirinho! Mas SUPER vale a pena!

Depois desse primeiro pensamento, vergonhosamente mesquinho, ainda lembrando da gordinha, eu teci algumas considerações:

1)    Dançar definitivamente não emagrece;

2)    Isso não tem a menor importância, porque a gordinha arrasou;

3)    Eu, aleatoriamente, acabei escolhendo bem a academia da minha filha!

Tenho certeza, e isso é uma memória doída na minha cabeça, que em Dalais, Tatianas e Carlotas (pelo menos no meu tempo) JAMAIS uma gordinha estaria na primeira fila. Não só gordinhas. Peitudinhas, bundudinhas, qualquer uma que não estivesse de acordo com o physique du role “padrão” ficaria no máximo lá pela terceira ou quarta! Viva a diversidade pregada no Liceu, academia pequena de bairro!

Sei lá, são só pensamentos… Mas uma coisa é certa: vou tentar me lembrar disso tudo e não me irritar no próximo sábado às 08:45!!!

“Olha, olha… que cachorrona, hein? Tudo isso é teu? É, tá me olhando também? Tá dando mole para o papai aqui? Ah, tá rindo, né? Isso, ri mesmo, ri bem que eu vou te mostrar quem é que vai rir mais tarde. Muito mais tarde. Vai, fica me provocando, vai! Ah tá, não vai vir aqui porque tá com a amiguinha? Pode trazer a sua amiga também, vamos fazer um ménage. Tá na moda, não viu? A gente chama a Daniela, ela traz a esposa… Até o Feliciano, que é para armar logo o bagunção. Não quer? Tá bom, tem quem queira. E a lourinha? Nossa, olha a lourinha! Tá de tatuagem nova, gata? Keep Calm and Carry onCarry on…. Carry on, o caramba! Keep calm and vem com o papai aqui! Tá sarada, hein? Deve estar brincando de lutinha, malhando na academia, fazendo muay thay. Gosta de apanhar, é? Eu também sei bater, lourinha. É, pode deixar que eu te dou uns tapinhas também. Tu tem cara de quem curte aquele cara do chicote, não é? Aquele dos cinquenta tons. A mulherada se amarra. Olha, olha ali a morena! Nossa, ai meu Deus, tu é quem? A mulher moranguinho? Tá mais para mulher melão, hein? Nada disso, do jeito que tu é um tesouro tu deve ser a mulher tomate. Coisa cara… Deve fazer sucesso na favela, nas UPP, no alemão. Esse biquini é qual? Aquele que é só de tirinhas? Delícia, hein? Não larga este teu celular nem para ajeitar as tirinhas do biquini. Deixa eu pegar você de jeito, deixa eu te adicionar no meu face, fotografar no instagram, te mandar um torpedo. É, e você? Tá me olhando também? Passeando aqui na minha frente de um lado para o outro… Vem que eu te pego também! É, você, você que está passeando com o cachorrinho da moda, com o shih tzu. Eu não moro na Barra, mas também tenho meu jacaré, e eu pego esse teu cachorrinho de jeito. Olha, olha… olha a ruivi…”

“Caramba Erandir! Não é possível, assim não é possivel! Faz alguma coisa, Erandir! Tira esse óculos escuros, larga a minha revista! Eu pedi pra você olhar as crianças, o-lhar. Sabe como é? Olhar com os olhos! E você não olha nada! Não presta atenção em coisa alguma, nem percebe que eles estão fritando, nem passa o filtro solar! Pega um mate pra mim, um biscoito pra eles. Se mexe, Erandir! Esfrega esse Rayito! Tu não faz nada, Erandir, tu não mexe um músculo! Não dá nem para eu dar um mergulho! Bem que minha mãe disse pra não casar com homem mole. Olha, Erandir, estou cansada disso tudo. Erandir, olha!!!

Então…. 1, 2, 3… começou! A página em branco é talvez o maior dos desafios do escritor, seja ele iniciante ou um autor já consagrado.

Não, não, não ficou bom. Totalmente clichê. Peraí, vamos começar de novo. Calma, né? Tem que dar um desconto, ainda é cedo, não é bem nessa hora que a inspiração costuma bater. Quando bate, quando não é só um tapinha ou um leve peteleco.

Mas, agora vai! 1, 2, 3… A página em branco encara o jovem escritor com sua boca banguela e…

Tá, desisto! Já deu para sentir que a folha em branco, a falta de inspiração, ou sei lá como se pode falar sobre isso com mais e melhores palavras é a pedra no sapato, a pulga na cueca do escritor e tal e tal. Mas, enfim, foi esse o tema escolhido pelo nosso amado mestre para a primeira crônica. Triste, principalmente quando eu tinha uma ótima história sobre as minhas férias aqui na manga. Intriga, comédia, pitadas de drama, e o melhor: nenhum pedacinho da página ia ficar em branco. Juro! Mas vamos respeitar a ideia do mestre, afinal, várias crônicas lindas já foram escritas sobre a página em branco. Tem aquela do Fernando Sabino, aquela… , a …., a… aquela outra. Ah, aquela do xxxx. Tá, eu acabei de procurar no google, podem me julgar. Mas enfim, o tema é esse, e não adianta reclamar. O mestre deve ter razão, afinal, se a melhor série de televisão do mundo foi feita sobre o nada, fica evidente que dali podem sair coisas muito interessantes.  Não, eu não estou enrolando. Tá, só um pouquinho.

Enfim, voltando à página em branco. Ela incomoda, ela nos encara com o seu sorriso banguela, patati patatá, mas como podemos lidar com ela? Fazê-la trabalhar a nosso favor? Dando uma estudada (tá, pesquisando no google), chega-se à conclusão de que existem três formas básicas, três maneiras como os cronistas costumam resolver esta situação:

-       Opção 1: Olhando para fora. Essa é muito boa, boa mesmo. É daí que saíram textos incríveis como aquele do… Fernando Sabino! Posso tentar? Bem, olhando para fora o que eu vejo? Meu chefe que, de dentro de seu aquário olha fixamente a tela do computador. Ele cutuca o nariz discretamente com a mão esquerda, enquanto que a outra cata uma paçoca gigante, e a deposita inteiramente na sua boca nervosa. E depois vai falar que faz a dieta Dukkan. Paçoca agora é proteína, né? Dukkan, sei, então tá, então. Do outro lado, a secretária loura coça a cabeça compenetrada. Tá, como se eu não soubesse que embaixo do relatório em que ela está “trabalhando”, mora o mais novo exemplar da revistinha da Avon. Mas tudo bem, afinal, debaixo do relatório em que eu estou “trabalhando” mora o rascunho desta “crônica”. Olhando mais para fora ainda, tipo, pela janela, vejo as obras do buraco da praça quinze, aquele mafuá que dizem que um dia que vai ser o novo porto do Rio. Ali de cima posso ver um catatau de gente “trabalhando” na tal obra. Viu? Tá vendo como funciona? Olhando para fora eu encontrei um excelente gancho para uma crônica. O novo Rio, imagina na Copa, e coisa e tal. Mas para uma outra crônica, não essa! Bo-ring!

-       Opção 2: Olhar para dentro. Isso deve funcionar, não é? Usar a tão falada instrospecção. Vamos lá? O que eu sinto no momento? Fome. O que eu penso? Em quanto tempo ainda falta para chegar a hora do almoço. Não sei se eu mencionei mas não são nem 9 horas. Viu como funciona? Olha outro assunto para uma crônica aparecendo por aqui: vazio existencial, fome,  ansiedade, angústia… dá até para escolher! Mas, sei lá, acho que escrever sobre tudo isso só me daria mais vontade de comer. E eu iria acabar atacando as paçocas de “proteína” do chefe.

-       Opção 3: Enrolar, embromar, esticar algum assunto.

Então… adivinha qual das três eu usei?

Bem, a página já está cheia, missão dada, missão cumprida. Nem sei se isso é uma crônica, mas, né? Ainda é a primeira aula, e tals. Não dá para cobrar muito. Mas vocês vão ver, eu ainda estou esperando aquela oportunidade, a próxima vai ser o bicho! Juro que vocês vão adorar ler sobre as minhas férias! A página vai ficar cheinha, lotada! Uma overdose de palavras, nenhum espaço vazio, nenhum! Não vai dar para o leitor respirar, nem para parar e checar o smartphone,  ou dar aquela olhadinha no face, eu juro. Tá, tá bom, já entendi, vai! Fica para a próxima.

 

Esse mês minha filha completou 4 anos. Parece pouco, mas nem é. Ao todo, provavelmente os 1460 dias mais felizes da minha vida. Bem, talvez os primeiros 90 não tenham sido TÃO felizes assim… Nem para mim nem para a grande maioria das mães, eu imagino. Como diria Aline Sucupira, passa um ano mas não passa o primeiro mês de vida do bebê. Verdade impressionante.

O nascimento de Gabi se deu em circunstâncias curiosas. Como assim? Tipo, o pai da criança estava na Disney na hora do parto. Não, ele não estava na Disney de TANTA alegria como uma amiga interpretou quando eu contei a história. Ele estava literalmente na Disney com o filho mais velho. Afinal Gabi, sempre apressadinha, resolveu vir ao mundo um bocado mais cedo. Mais precisamente numa segunda feira, hora do Tela Quente, Shrek 2 na telinha. Não vou culpá-la, afinal esse também é o meu filme preferido do Ogro.  Se eu tivesse que apressar meu próprio parto para dar tempo de asssistí-lo eu provavelmente o faria.

Óbvio que com a mãe SUPER precavida que Gabi tem, naquela segunda feira ainda não havia nada pronto. Nada mesmo. Não havia mala pronta, enxoval pronto, quarto pronto, máquina fotográfica ou qualquer outro apetrecho pronto. Nem mesmo a mãe estava pronta. Mal tinha o número da doutora, que obviamente estava registrado apenas no celular, que obviamente estava descarregado no momento do desespero. That’s my life. Mas uma coisa a Gabi tinha e levou para a maternidade! Coisa muito importante! Mesmo que ainda parcialmente nua, Gabi tinha lindas lembrancinhas de maternidade para oferecer a todas as suas visitas! No thanks to me, claro, mas graças a minha amiga Patty Fefer que me perturbou todos os dias do pré-parto para eu ligar para o ateliê e cobrar os imãs que havia encomendado.

Enfim, como quase tudo na vida, no final deu certo. Hoje temos uma bebê perfeita, fofa, respondona, teimosa e sem sombra de dúvidas a mais linda do mundo. Quem vai discordar? E eu não tenho mais tempo, mais sono, mais energia, mais calma. Mas mal posso acreditar em como minha vida era chata antes dela.

Era uma vez uma princesa. Bonita e mimada, como devem ser as princesas. Corria as escadas do castelo com a alegria inocente que se vê em bichos e crianças. Criança ela era. Vivia em meio a histórias, rocas, fadas-madrinhas, e bobos. E era feliz.

Até que um dia a princesa, crescendo, percebeu que havia algo de errado no reino da Dinamarca. Neste caso, no seu próprio reino. Havia dias em que cantava-se pouco e ouvia-se o vento. Em outros as fadas brigavam e ficavam de mal. Mesmo o bobo da corte era por vezes sem graça. “Não pode!,” gritou como princesa que era. “Isso é um reino de conto de fadas!”

A princesa reuniu o conselho de fadas-madrinhas. Muito sem jeito as três enrolaram para contar que as coisas na vida eram mesmo assim. Uns dias mais outros menos, nem sempre perfeitas. E que de um dia pro outro muitas vezes mudavam. “Mas como?”, perguntou a princesa. “Nos contos de fadas as coisas não mudam!”

Depois de ouvir respostas que não respondiam, foi perguntar ao rei e a rainha. O rei não gostava de questões filosóficas. Gostava de governar e com a corte assistir quadribol. Para ele estava sempre tudo bom. A rainha andava cansada. Disse que o rei não cooperava. Trabalhava muito e só queria saber da nobreza. Não namoravam nem discutiam a relação. A rainha cozia, serzia e fazia mesuras. Queria conhecer o mundo também!.

Inconformada, a Princesa se revoltou. “Se nos reinos de fadas, tudo é sempre belo e bom, no meu também há de ser”, pensou. Quis sair pelo mundo, conhecer outros reinos, para tornar o seu eternamente feliz. E assim foi. Na calada da noite, reuniu suas vestes e pulou a janela. De sua cama dourada para o mundo. Um mundo que fosse mais perfeito que o seu.

Parou primeiro no reino azul. O reino azul, percebeu, era meio diferente. Mas não menos belo. Jovens elegantes faziam mesuras e declamavam poemas na rua. Tudo simetricamente arrumado. Extasiada com tanta beleza, a princesa pensou: “Eis aqui um reino feliz”.

E não é que era? O Rei Celeste e o Rei Piscina, reinavam juntos em harmonia. Um reino com dois reis, e nada de rainha! Mas não é que podia? A princesa embevecida, pediu para ficar. Morar naquele lugar onde tudo era belo e todos felizes. Os Reis não deixaram. O Rei piscina, porque o Rei Celeste queria. Ou foi o contrário? Não sabia, mas foi como começou a briga. A princesa viu que, apesar da beleza, o reino azul também tinha questões. Talvez a rainha tivesse razão e discutir problemas fosse bom, pensou enquanto partia.

Ainda confusa, chegou ao próximo reino, o vermelho. Lá morava sua prima, a Duquesa. Morava sozinha com a mãe. A rainha tinha a sua própria carruagem e a dirigia. Mandava e desmandava, de um lado pro outro de cima pra baixo. Parece que o rei tinha ido buscar o seu eu interior num monte bem alto. Ou talvez tivesse ficado com medo da rainha. Um reino sem rei, ora essa! Mas nao é que podia? De dia, a rainha reunia seus homens mas decidia sozinha. E de noite, quando ninguém via, abraçava a pequena duquesa, e lhe contava as histórias mais lindas.

Amanheceu e a princesa partiu para o terceiro reino, o amarelo. Mas, epa! Olha lá que nem mais reino ali era. O rei, a rainha, o príncipe e a princesa abriram seu palácio para os aldeões. As mulheres serziam e o rei decidia. Sempre juntos  com o povo. As discussões do dia se alongavam à noite em música e dança. Todos juntos em volta da fogueira do que restara da madeira nobre. Que alegria! A princesa dançou e cantou até a última estrela. Um reino sem palácio? Isso também podia….

Mas logo a princesa ficou com saudades. De seu palácio que podia ser alegre e triste, cheio e sozinho. De seu pai e de sua mãe que às vezes brigavam e às vezes sorriam. De seu mundo de mais e de menos. Voltou e os pais a abraçaram num abraço doído. “Por onde você esteve?” perguntaram. E a princesa contou. Contou de tudo que viu: do reino azul com dois reis, do reino vermelho sem rei e do amarelo sem reino. Os dois mal ouviram de contentes que estavam em tê-la ali e inteira.

Seu reino continuou como era, uns dias felizes e outros nem tanto. Mas, enfim, era seu. O rei às vezes trabalhava demais. A rainha era mal humorada, e o o bobo da corte às vezes sem graça. E às vezes tudo era bom demais.

A princesa cresceu e apareceu. Apaixonada pela diversidade que era, ficou secretamente decepcionada ao conhecer um príncipe encantado, casar e ser feliz para sempre.

Odeio dietas! Definitivamente não são coisa de Deus. E olha que este é um assunto que eu posso falar de cadeira! Acho que não tem uma dieta que eu não tenha testado sem sucesso. Da lua: check! Proteínas: check! Beverly hills: check! South beach: check, check!

Não foram só dietas, acho que já tomei, com exceção daquela injeção nova na barriga, todas as medicaçoes “milagrosas” para o assunto. Lembro na adolescência, as noites insones, o mau humor e a  boca seca. Tudo para estar linda no verão! Um verão, esse era o tempo máximo que duravam os resultados. Claro que eu nunca passava por isso sozinha, sempre tinha uma maluca que embarcava na onda. E quando a gente via, lá estávamos nós, olhos injetados, boca seca, reclamando, sem conseguir dormir sobre: “a ditadura da imagem da mídia!”

Pois é, cansei. Chega de efeitos colaterais e dietas malucas! Chega de correr para o banheiro depois do xenical!! Este ano eu decidi que a onda do verão vai ser reeducação alimentar.

Primeiro passo: me matriculei no Vigilantes do Peso mais próximo! Afinal, todos têm uma história de alguém que emagreceu para. sempre no Vigilantes do Peso. E eu acredito. Só acho que eles deveriam contratar alguém de peso (sem trocadilhos) para cuidar do seu marketing. Vigilantes do Peso é o nome  mais feio que uma organização pode ter. Chega a ser contra-producente. Não consegui prestar atenção em uma palavra da primeira reunião,  imaginando um grupo de gordos, segurando lanternas, e dando uma “dura”em supermercados e padarias.

Os Vigilantes, melhor chamar assim, é um mundo novo. Tipo Orwell, sabe? Um mundo onde se gritam bordões como: Faça seu estoque de sucesso! Em primeiro lugar: você! Use seus pontos flex! Confesso que eu até curto um autoritarismozinho, afinal, né, eu sou milica! Mas juro que o brilho no olhar de alguns daqueles gordinhos me dá arrepios. Quase um Resbollah da gordura!

Enfim… Cá estou eu, nesse exato momento, contando minhas calorias. Ou melhor, controlando os meus pontos do sucesso. Afinal, eu em primeiro lugar, né? Mas no fundo no fundo, eu fico pensando aqui com meus botões estufados: que inferno a ditadura de imagem da mídia!

 

Tenho que confessar uma coisa, eu adoro natal. E não só adoro, amo! E não amo só o natal, amo TUDO sobre o natal. Amo as lojas enfeitadas mesmo que já em novembro, amo a árvore de natal da lagoa, amo amo.

Alguns vão dizer, “ah mas você nasceu no natal”! Juro que não tem nada a ver. Até porque, eu odeio aniversários, pelo menos os meus. Parece contradição? E é.

Eu amo natal, amo amigo oculto, decorar a sala do trabalho, o saara bombando, os shoppings lotados. Amo rabanada, amo panetone, amo nozes e cerejas. Amo muito, muito mesmo. Acho que, além dos comerciantes, só tem uma pessoa que ama natal mais do que eu: a minha mãe.

Talvez seja culpa dela que eu ame tanto os natais, afinal lá em casa, eles sempre foram muuuuito beeeem comemorados. Casa cheia de primos, disquinho de histórias na vitrola. Uma semana inteira fazendo biscoitos na mesa da sala. E a cereja do bolo: o sapatinho. Parecia milagre, mas independente de quantas crianças tivessem na casa, toda a manhã do dia 25 os sapatinhos acordavam misteriosamente cheios de doces e presentes. Juro!

Me chamem de retardada, mas confesso que isso acontece até hoje. Não sei como, ou com que poderes secretos mágicos maternos, mas mesmo morando em casas e às vezes até em cidades separadas meu sapato amanhece todo natal recheado.

Minha filha também ama natais, mesmo que os dela não sejam metade tão bem organizados como os da minha infância. Dificil fazer milagre com metade da competência. Mesmo assim, decoramos a árvores juntas, mandamos cartinhas para o papai noel. Os biscoitos? Bem, quem conhece meus dotes culinários, pode imaginar que eles não são grande coisa, mas a pequena, uma sobrevivente, gosta deles mesmo assim.

E os sapatinhos? Os sapatinhos continuam, completamente independente de qualquer ação minha, aparecendo cheios toda a manhã do dia 25. Impreterivelmente. Impecáveis. Segredo de mãe, não sei. Só sei que esse ano, junto com a cartinha colorida da Gabi, vou colocar, por via das dúvidas, o meu bilhete: “Querido Papai Noel, sei que ando meio ausente, não nos falamos há um tempo. Mas esse ano vou fazer um pedido: faça que um dia, qualquer dia, minha filha tenha uma mãe ao menos um terço tão boa quanto a minha.”

 

 

Um dos objetivo desse blog era o de ser um blog de viagens, mas sinceramente o objetivo não tem sido cumprido. Não por falta de viagens, afinal, nós homens e mulheres do mar viajamos muito. Muito mesmo. O problema não é falta de viagens. O problema é : viajamos sempre  para os mesmos lugares. Um blog com destinos repetidos decididamente não seria divertido. Bem, a não ser por uma coisa: nós marujos viajamos para lugares exóticos. Paris? Não… Buenos Aires? Nada disso!

Você conhece Ladário? Pois é, praticamente ninguém conhece. É uma cidade incrustada em um dos Mato Grossos, nunca sei qual deles. Fica colada em Corumbá, o que também não faz a menor diferença uma vez que ninguém conhece Corumbá.

Enfim, pense em uma cidade onde o cinema mais próximo fica há cerca de uma hora de voo (só tem um por dia!) ou a sete horas de ônibus? Pois é… você já está começando a conhecer Ladário.

Ficha técnica:

1) Atracões turísticas: hum…. quando eu lembrar eu conto!

2) Mascote: A barata de ladário, ser mitológico que lembra a barata que conhecemos, sendo porém, coberta de pelos. Quando adulta pode atingir o tamanho de um animal doméstico de pequeno porte. Juro!

3) Clima: varia de quente a muito quente. Dizem os locais que existe inverno em Ladário, mas sinceramente eu nunca vi.

4) Passeios: a Bolívia. A Bolivia é a maneira local de chamar a cidade da fronteira, onde se pode, como se diz em marujês, “comprar uns goods”. Na Bolívia, existem dois “shoppings” (tudo beeem entre aspas, é claro): shopping china e shopping chão. No “shopping china” é possível  comprar goods a preços intermediários entre Brasil e EUA, tendendo ultimamente mais para o primeiro. No “shopping chão”, bem, no “shopping chão” é possível comprar absolutamente de um tudo. Incluindo provavelmente drogas e armas. Mas eu não aconselho.

5) Prato típico da região: Isca de jacaré. Evitem! Cometi a ousadia há dois anos e até hoje sofro as consequências..

Esta semana eu estou em Ladário e certamente, contrariando toda lógica, vou a Bolívia comprar goods, vou comer coisas suspeitas, fugir de baratas gigantes e morrer de calor! E no fim do dia, ver o rio Paraguai belíssimo, e curtir a hospitalidade dos meus amigos ladarenses (ou ladáricos?). Gente super dez como a Leone, a Fernanda, a Hamana. Gente boa demais que te oferece casa, carro, e especialmente o ar condicionado. Tudo no maior amor! Essas sim, são as coisas boas do nosso Brasilzão!

Semanas atrás eu li uma reportagem curiosa na Revista de Domingo. Falava sobre a nova geração de empregadas domésticas e seus salários astronômicos.

Sendo metade européia (e a outra metade bahiana, o que me torna um paradoxo ambulante), ainda estranho um pouco a naturalidade como nós brasileiros inserimos os empregados em nossas vidas, transformando-os mesmo em membros da nossa família.

Em criança, lembro de todos os profissionais que passaram pela minha vida. Desde aquelas que ensaiavam beliscões pelas costas da minha mãe, até aquela (a mais querida) que, no intuito de fazer um lindo vestido de casamento para a minha Barbie, retalhou a toalha de mesa caríssima, bordada a mão. Foi despedida, a coitada.

Em adulta, hesitei bastante em recorrer a estas profissionais. Esquisito, compartilhar assim as intimidades. Mas com filhos a coisa muda de figura. Flexibiliza-se a liberdade de movimentos em casa, em prol da liberdade de movimentos para fora de casa.

Assim, eu tropicalizei. A minha primeira experiência começou como um idílio. Tínhamos idades parecidas, idéias parecidas, gostos parecidos. Meses mais tarde descobri que um dos gostos que compartilhávamos era o pela internet. Fui informada por amigos que, mesmo quando eu estava no trabalho, o skype  e o MSN lá de casa “bombavam”!

Juo que eu não me importaria com isso, se eu tivesse certeza que ela conseguiria gerenciar skype, orkut, facebook e um bebê de seis meses ao mesmo tempo. Eu, a mãe, não conseguia!

Segunda tentativa. Uma bahiana super recomendada. Com duas semanas o marido pergunta se eu havia percebido que a nossa ajudante tinha um Exu tatuado no braço. Esquisito. Perguntei sobre a tatuagem e ela disse que de vez em quando jogava uns búzios. Juro que eu não me importaria com isso. Se fosse só isso. Mas nos raros momentos em que eu estava em casa o telefone não parava. Era consulta o dia inteiro: no seu celular e no meu telefone fixo. Macumba on-line. A gota d’água foi quando a faxineira encontrou um negócio esquisito debaixo da máquina de lavar. Fazer macumba tudo bem. Agora lá em casa e com a minha louça inglesa???

A terceira começou muito bem. Organizada, metódica, arrumou meu armário em tons de dégradé. Eu estava muito feliz até que uma amiga a encontrou na rua com uma sandália dourada linda. No que a amiga elogiou a formosura do calçado, ela disparou orgulhosa: “Gostou? É da Dona Natália!”

Lendo a reportagem, eu me pergunto onde aquela gente encontra essas pessoas abençoadas que dirigem, cuidam das crianças e merecem salários de até dez mil reais! Não sei, só sei que para mim chega! De agora em diante só diaristas!