Semanas atrás eu li uma reportagem curiosa na Revista de Domingo. Falava sobre a nova geração de empregadas domésticas e seus salários astronômicos.

Sendo metade européia (e a outra metade bahiana, o que me torna um paradoxo ambulante), ainda estranho um pouco a naturalidade como nós brasileiros inserimos os empregados em nossas vidas, transformando-os mesmo em membros da nossa família.

Em criança, lembro de todos os profissionais que passaram pela minha vida. Desde aquelas que ensaiavam beliscões pelas costas da minha mãe, até aquela (a mais querida) que, no intuito de fazer um lindo vestido de casamento para a minha Barbie, retalhou a toalha de mesa caríssima, bordada a mão. Foi despedida, a coitada.

Em adulta, hesitei bastante em recorrer a estas profissionais. Esquisito, compartilhar assim as intimidades. Mas com filhos a coisa muda de figura. Flexibiliza-se a liberdade de movimentos em casa, em prol da liberdade de movimentos para fora de casa.

Assim, eu tropicalizei. A minha primeira experiência começou como um idílio. Tínhamos idades parecidas, idéias parecidas, gostos parecidos. Meses mais tarde descobri que um dos gostos que compartilhávamos era o pela internet. Fui informada por amigos que, mesmo quando eu estava no trabalho, o skype  e o MSN lá de casa “bombavam”!

Juo que eu não me importaria com isso, se eu tivesse certeza que ela conseguiria gerenciar skype, orkut, facebook e um bebê de seis meses ao mesmo tempo. Eu, a mãe, não conseguia!

Segunda tentativa. Uma bahiana super recomendada. Com duas semanas o marido pergunta se eu havia percebido que a nossa ajudante tinha um Exu tatuado no braço. Esquisito. Perguntei sobre a tatuagem e ela disse que de vez em quando jogava uns búzios. Juro que eu não me importaria com isso. Se fosse só isso. Mas nos raros momentos em que eu estava em casa o telefone não parava. Era consulta o dia inteiro: no seu celular e no meu telefone fixo. Macumba on-line. A gota d’água foi quando a faxineira encontrou um negócio esquisito debaixo da máquina de lavar. Fazer macumba tudo bem. Agora lá em casa e com a minha louça inglesa???

A terceira começou muito bem. Organizada, metódica, arrumou meu armário em tons de dégradé. Eu estava muito feliz até que uma amiga a encontrou na rua com uma sandália dourada linda. No que a amiga elogiou a formosura do calçado, ela disparou orgulhosa: “Gostou? É da Dona Natália!”

Lendo a reportagem, eu me pergunto onde aquela gente encontra essas pessoas abençoadas que dirigem, cuidam das crianças e merecem salários de até dez mil reais! Não sei, só sei que para mim chega! De agora em diante só diaristas!

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