Meu primeiro voto foi do PT. Meu segundo voto foi do PT. Meu terceiro voto foi do PT e se bobear acho que o quarto também. E eu não só votei. Eu era jovem, então eu votei, pintei a cara, me aboletei no diretório da rua real grandeza e passei a noite cortando estrelinhas vermelhas. E no dia seguinte, exausta mas feliz, peguei o ônibus lotado para a Cinelândia para gritar em voz alta o meu voto.

E não me arrependo.

Eu não gosto do PSDB. Não vou muito com a cara do Aécio, não sei se ele cheira, se ele rouba ou se ele constrói aeroportos no terreno do tio.  Eu só sei que eu não vou com a cara dele. Nem com a da mulher dele que tem cara de miss.

Também não vou com a cara da Dilma, apesar de não achar que ela roube, pelo menos não pra ela mesma. Se ela roubasse pra ela mesma, pelo menos ela se vestiria melhor.  Mas também sei for a fact que aquela Dilma com jeito de vó boazinha meio Ana Maria Braga só existe no mundo ideal dos marqueteiros. Quem convive sabe que ela trata democraticamente mal desde o faxineiro ao mais importante dos ministros. E, apesar de ser um maltratar igualitário, não consigo gostar de quem maltrata as pessoas.

Enfim, o fato é que eu não gosto igualmente dos dois. E o fato é que mesmo eu tendo prometido nunca mais me posicionar, porque eu não perco um amigo para ganhar uma guerra, eu não consegui. A garota de 16 anos com a cara pintada falou mais alto que a mulher, profissional e mãe de família. Ela sempre fala.

E enfim, o fato é que também não se trata de PSDB ou de PT. Nem se trata de Aécio ou de Dilma. Na verdade, tanto faz. Para mim se trata de mudar. De alternância no poder, de democracia. Não me arrependo de ter votado no PT. Não mesmo. E, ao contrário do que dizem, acho que nestes muitos anos de PT houve avanços sociais. E, ao contrário do que eles dizem, e eu digo eles, mas detesto este discurso nós x os outros que “eles” pregam, eu acho o máximo quando vejo muito mais gente do que havia antes viajando pro exterior, andando de avião, e com acesso a internet. Isso é tudo muito, muito bom.

Mas, para mim, chega. Chegou a hora de mudar. Aliás, passou da hora. E não é pela inflação, pela corrupção ou pelo alinhamento com governos, regimes ou personalidades que eu não admiro. Apesar disso me incomodar muito, não é por isso. Para mim, simplesmente é porque não é saudável para uma democracia ter um partido há tanto tempo no poder. E eu curto democracia. Não é saudável para a democracia, um país estar tão identificado com um partido. E eu não gosto disso. Eu não quero ter um partido. Eu não quero me colocar dentro de uma caixinha. E nem quero viver nesse “nós x eles”.

O que eu quero? Eu quero instituições, órgãos públicos isentos e apartidários. Quero brasileiros de todas as origens concursados galgando os postos mais altos do IBGE dos Correios da Petrobrás, e o que mais seja, e não funcionários de um partido. Quero ter um país novamente, onde eu não seja “os outros” por não ser de um partido. Quero que o meu país não tenha um partido.

Não sei se será o Aécio quem vai trazer o meu país de volta. Pessoalmente, e eu deixo bem claro que tudo isso é MINHA modestíssima opinião, eu nem acredito. E, bem pessoalmente, não houve governo pior para mim que o do PSDB. E não teve mesmo. Mas não importa. Não é pessoal. Não é para mim que eu voto. É para mim e para a minha filha que ainda não pode votar. Eu voto para que ela, assim como eu pude, possa dar o primeiro voto pra quem ela quiser. Pra que ela possa cortar estrelinhas, solzinhos, ou qualquer coisa que o valha e que vá gritar na Cinelândia um dia. Pra que ela tenha esperança. Por ela eu vou ter que me posicionar e correr o risco de perder um ou mais amigos e nem assim ganhar a guerra.

Por ela, e por isso tudo, meu próximo voto não será do PT.

  1. Carlinha says:

    Pra quem odiava igualmente os dois lados e queria mudanças é que inventaram a Marina!!!
    Esse post tinha de ter vindo semana passada!!!!

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