Então…. 1, 2, 3… começou! A página em branco é talvez o maior dos desafios do escritor, seja ele iniciante ou um autor já consagrado.

Não, não, não ficou bom. Totalmente clichê. Peraí, vamos começar de novo. Calma, né? Tem que dar um desconto, ainda é cedo, não é bem nessa hora que a inspiração costuma bater. Quando bate, quando não é só um tapinha ou um leve peteleco.

Mas, agora vai! 1, 2, 3… A página em branco encara o jovem escritor com sua boca banguela e…

Tá, desisto! Já deu para sentir que a folha em branco, a falta de inspiração, ou sei lá como se pode falar sobre isso com mais e melhores palavras é a pedra no sapato, a pulga na cueca do escritor e tal e tal. Mas, enfim, foi esse o tema escolhido pelo nosso amado mestre para a primeira crônica. Triste, principalmente quando eu tinha uma ótima história sobre as minhas férias aqui na manga. Intriga, comédia, pitadas de drama, e o melhor: nenhum pedacinho da página ia ficar em branco. Juro! Mas vamos respeitar a ideia do mestre, afinal, várias crônicas lindas já foram escritas sobre a página em branco. Tem aquela do Fernando Sabino, aquela… , a …., a… aquela outra. Ah, aquela do xxxx. Tá, eu acabei de procurar no google, podem me julgar. Mas enfim, o tema é esse, e não adianta reclamar. O mestre deve ter razão, afinal, se a melhor série de televisão do mundo foi feita sobre o nada, fica evidente que dali podem sair coisas muito interessantes.  Não, eu não estou enrolando. Tá, só um pouquinho.

Enfim, voltando à página em branco. Ela incomoda, ela nos encara com o seu sorriso banguela, patati patatá, mas como podemos lidar com ela? Fazê-la trabalhar a nosso favor? Dando uma estudada (tá, pesquisando no google), chega-se à conclusão de que existem três formas básicas, três maneiras como os cronistas costumam resolver esta situação:

-       Opção 1: Olhando para fora. Essa é muito boa, boa mesmo. É daí que saíram textos incríveis como aquele do… Fernando Sabino! Posso tentar? Bem, olhando para fora o que eu vejo? Meu chefe que, de dentro de seu aquário olha fixamente a tela do computador. Ele cutuca o nariz discretamente com a mão esquerda, enquanto que a outra cata uma paçoca gigante, e a deposita inteiramente na sua boca nervosa. E depois vai falar que faz a dieta Dukkan. Paçoca agora é proteína, né? Dukkan, sei, então tá, então. Do outro lado, a secretária loura coça a cabeça compenetrada. Tá, como se eu não soubesse que embaixo do relatório em que ela está “trabalhando”, mora o mais novo exemplar da revistinha da Avon. Mas tudo bem, afinal, debaixo do relatório em que eu estou “trabalhando” mora o rascunho desta “crônica”. Olhando mais para fora ainda, tipo, pela janela, vejo as obras do buraco da praça quinze, aquele mafuá que dizem que um dia que vai ser o novo porto do Rio. Ali de cima posso ver um catatau de gente “trabalhando” na tal obra. Viu? Tá vendo como funciona? Olhando para fora eu encontrei um excelente gancho para uma crônica. O novo Rio, imagina na Copa, e coisa e tal. Mas para uma outra crônica, não essa! Bo-ring!

-       Opção 2: Olhar para dentro. Isso deve funcionar, não é? Usar a tão falada instrospecção. Vamos lá? O que eu sinto no momento? Fome. O que eu penso? Em quanto tempo ainda falta para chegar a hora do almoço. Não sei se eu mencionei mas não são nem 9 horas. Viu como funciona? Olha outro assunto para uma crônica aparecendo por aqui: vazio existencial, fome,  ansiedade, angústia… dá até para escolher! Mas, sei lá, acho que escrever sobre tudo isso só me daria mais vontade de comer. E eu iria acabar atacando as paçocas de “proteína” do chefe.

-       Opção 3: Enrolar, embromar, esticar algum assunto.

Então… adivinha qual das três eu usei?

Bem, a página já está cheia, missão dada, missão cumprida. Nem sei se isso é uma crônica, mas, né? Ainda é a primeira aula, e tals. Não dá para cobrar muito. Mas vocês vão ver, eu ainda estou esperando aquela oportunidade, a próxima vai ser o bicho! Juro que vocês vão adorar ler sobre as minhas férias! A página vai ficar cheinha, lotada! Uma overdose de palavras, nenhum espaço vazio, nenhum! Não vai dar para o leitor respirar, nem para parar e checar o smartphone,  ou dar aquela olhadinha no face, eu juro. Tá, tá bom, já entendi, vai! Fica para a próxima.

 

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